“ Estava escuro e muito frio, a única luz acesa que conseguia ver era a da casa dela...
Sempre que a via meus olhos brilhavam, não conseguia entender o tamanho do sentimento que eu tinha por ela, não conseguia nem ao menos entender o porque de eu achar ela isso tudo.
Todos os dias as quatro horas da manhã eu marco com os garotos de sufarmos na praia aqui perto, eu sempre chego cedo, e por incrível que pareça, ela está acordada pintando não sei o bem o quê, mas parece feliz com aquilo. Eu a observo a cada detalhe, o jeito que ela pega no pincel com mão meio curvada para baixo, o jeito do seu corpo empinado e o seu meio sorriso a cada linha daquela pintura. Faço isso todas as manhãs desde que a percebi, naquela janela a olhar pra o céu como se perguntasse algo. Ela não era nenhuma deusa, mas pra os meus olhos, ela parecia a garota mais linda que fez meu coração se descontrolar. Isso tudo pode até parecer gay, mas quando a gente encontra a pessoa, não importa o quanto gay pareça, ou o quanto ridículo vou ficar. Pra mim no momento o que importa é saber como eu e ela vamos ficar.
Resumindo a historia...
Meus amigos chegaram e fomos surfar, muita gritaria na rua, somos arruaceiros loucos por diversão. Adoro tudo que pareça difícil, gosto de lutar pelas coisas, nada dado fácil é melhor do que a luta que você podia ter feito.
- E aí cara, já criou coragem de ir la na casa da gata? – Disse o Pietro
- Ainda não cara – arrepiei o cabelo fazendo que a água voasse por todo canto – Mas eu vou. Hoje vou chegar lá, nem que eu invente eu preciso de uma pintora ou algo assim.
- Que cara insistente – O carlito falou dando um soco nas minhas costas – Você tem a Latifa, a Claudinha...
- Mas eu quero a pintora morena e linda da janela – falei interrompendo ele
Surfamos por horas, mas aí tivemos que voltar, estudávamos a tarde e nossas mãe eram um pouquinho bravas. A minha mãe sempre que eu chegava em casa, dizia:
- Italo seu pivete vá tomar um banho, se você perder ma aula a macaca preta vai rolar hoje
- Ta mãe to indo, não vai perder aula nenhuma.
Na escola tudo era normal, estudar e estudar. Naquele dia eu preferi pegar um caminho diferente. Na rua da pintora todos já estavam indo pra escola também, eu me sentei no mesmo banco de todas as manhãs, e fiquei esperando ela sair. A janela estava fechada como se ela estivesse saído, então eu esperei, e esperei. “ Até parece que ela não estuda” pensava comigo mesmo, a maldiçoando porque não tinha saído ainda.
Em um momento a janela se abriu e ela apareceu, “ Ela não vai sair pra escola, que droga”. Continuei olhando pra janela vendo ela arrumar algo, e de repente ela olha pra fora da janela e procura algo, os olhos dela chegam até os meus e ela sorri, “ Não, não.. Ela sorriu pra mim”, quase dava gargalhada de tão eletrizante que eu estava por dentro. De repente a janela se fechou de novo e eu fiquei em entender mais nada. “ Como ela me ilude assim? Era bom de mais pra ser verdade”. Eu estava me afundando em meus pensamentos de cabeça baixa, me amaldiçoando por não ter retribuído aquele sorriso maravilhoso, por não ter feito algo, nem sabia o que eu iria fazer, mas pelo menos que fizesse alguma coisa.
- Oi? – escutei uma voz leve sensível e segura, como o que sabia exatamente o que fazer
Olhei devagar pra pessoa que falava, e quase tinha um ataque fuminante – Nem sei o que é isso – eu estava paralisado não sabia se respondia, eu não sabia de nada naquele momento.
- Seria educado você dizer oi também – falou ela sentando ao meu lado
Ela não estava de farda, estava de calça jeans, camiseta básica e dava pra ver uma maquiagem leve, estava de havaianas e com uma bolsinha de lado.
- Oi... Bom – O que eu ia dizer pra ela?
- Sabe eu criei coragem de vir aqui até você entregar isso – Falou ela pegando algo q estava perto de seus pés, parecia um quadro – Eu terminei hoje, nem fui pra aula hoje pela manhã, pra poder terminar...
- Você estuda de manhã? Caraca, eu ia esperar por horas aqui e você não sairia – Pensei meio alto e aquilo foi vergonhoso
Ela sorriu
- Estava me esperando?, que legal, achava que você iria se encontrar com seus amigos, por isso eu me arrumei rápido quando te vi aqui, pra poder te mostrar o que e fiz.
- O que você fez? – Já estava me sentindo tranqüilo com ela – Vai me mostra essa quadro aí, ta me deixando curioso
Ela sorriu, pegou o quadro e me deu
- É pra você, é seu. Minha primeira obra foi desenhar você, se você gostar eu posso continuar minha carreira, mas se você não gostar me fala logo e não me ilude. Ai você pode me convidar pra ir na praia que você surfa todas as manhãs e me fazer se sentir melhor e fingir que eu ainda posso ter uma carreira.
- Você quer sair comigo? – Eu fiz uma cara de surpresa
- Se for pra dizer que meu desenho não ficou legal é melhor pensar em algo pra me fazer se sentir melhor – Ela fez biquinho e eu sorri com aquilo
Abri o pacote e me admirei. Era eu, e estava parado com a prancha de surf e olhando pra água, calmo como na primeira vez que comecei a surfar, sem nenhum preocupação, sem pensamentos idiotas... só o barulho das ondas, minha prancha e eu.
- Adorei - Falei quase sem voz
- Serio? – Ela sorriu e me abraçou
Eu quase morro, parecia que eu iria acordar naquele momento. Mas por incrível que pareça meu filho, e ainda continuo nesse sonho até hoje. E aquela pintora morena é a sua mãe, que hoje faz os melhores quadros que você já viu. E esse quadro que eu te dei, foi a primeira obra de sua mãe.
Sabe meu filho, quando encontrar a pessoa certa, não espere muito tempo em dizer com sua própria boca que você esperava por aquele dia, pois não existe muitas como a sua mãe. Então não espere a estrela cair, corra atrás dela e pule altas montanhas para conseguir pega-la.
- Ele dormiu querido – Falou a minha melhor
Levantei do lado do meu campeão e fui até a minha pintora
- Te amo sabia?
- Sei sim...- Ela sorriu e sussurrou baixinho – Porque é o mesmo que eu sinto desde aquele dia”